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Fantasia – Chico Buarque 03/10/2007

Posted by Zuza Machado in Uncategorized.
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E se de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Pra uma fantasia
Do meu violão

Canta, canta uma esperança

Canta, canta uma alegria
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Canta a canção do homem
Canta a canção da vida
Canta mais
Trabalhando a terra
Entornando o vinho
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção do gozo
Canta a canção da graça
Canta mais
Preparando a tinta
Enfeitando a praça
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção de glória
Canta a santa melodia
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia.

Sobre o uso da palavra – a palavra é tudo 13/06/2007

Posted by Zuza Machado in prato feito.
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Faz tempo que eu, o dono do blog, não visitava esta incoerente página. Para dizer a verdade não ando com saco para atualizar esta página; ou melhor, não tenho saco para nada. Digo isso porque estou cansado de ver que as pessoas não dão valor às palavras. Eu tenho muitas teorias não divulgadas, muitas palavras não ditas, muitas mortes para mim mesmo. Cada palavra não dita é um pouco de morte que se espalha, ou se recolhe dentro de mim. Gosto de ler  a Bíblia, livro bastante poético. Se viocê não concorda, não é culpa minha você ser ateu e não ter senso crítico e isento de suas próprias convicções. Só porque alguém é ateu não quer dizer que não saiba reconhecer o valor daquilo que não faz parte de sua vida. Bom, mas o que quero dizer com isso é o quanto Deus, ou chame do queque você preferir, é o maior artista, o maior poeta que já existiu na face da Terra. Isso mesmo, eu disse na face da Terra! No início era ela sem forma, um caos e o espírito de Deus pairava sobre ela. E foi com uma palavra que Deus deu forma ao caos. “Haja luz!”, e houve luz. Foi pela palavra, não por suor do rosto, não por manuseio de tesouras ou enxadas que o mundo foi criado. Mesmo que tenha existido uma grande explosão, o chamado Big-bang, essa explosão foi de tal intensidade de luz que só pode ter vindo de uma ordem de grandeza superior que nunca conseguiremos definir a não ser se for pelo efeito causado pela frase: “Haja luz!”

Outra coisa: no início era o Verbo. E o Verbo estava com Ele… Todas essas frases encontradas na Bíblia para definir Jesus têm significado de vida se pensarmos que o Verbo é o Salvador, o Messias, ou simplesmente, para judeus, islâmicos, ou quem quer que seja mais, um profeta ou sábio. Numa coisa concordam todos. Jesus foi um cara que enfrentava a situação de frente. Ele era o Verbo. A ação estava com ele. Ora, todo verbo traz sua carga de ação e não de passividade. Posso crer que a palavra, escrita ou falada, é para ser ouvida e pensada. Não digo somente de religião. Um poema é um poema de amor que deve ser pensado. Um poema é um poema de revolta que merece uma reflexão. Um poema é um poema de contentamento que tem sua carga de filosofia.

E tem outra da Biblía: A língua tem poder vida e morte. Com ela podemos amaldiçoar ou abençoar quem quisermos. A língua tem poder de construir ou destruir. Penso eu: isto é a palavra articulada, o poema feito. Então por que a poesia não está no seu lugar de direito na vida das pessoas? Estão todas surdas, estão todas mortas? Não dão valor às palavras, ao Verbo. Saem todas elas a dizer coisas que não fazem viver? Começo acreditar que sim, pois tenho escutado muitas palavras de morte. Bom, depois do anúncio da morte de Deus…

Só de pensar que todos podem ter ficado surdos depois da explosão, do Big-bang. Mas espere aí! Talvez esta não seja uma desculpa plausível, pois que eu saiba o som não se propaga no vácuo, que é o que ocupa maior espaço no universo. Então não há desculpa pela falta de atenção dada à palavra? Não sei… Não vim aqui para dar respostas. Quando aqui cheguei já estava tudoa assim, tudo complicado e a galinha já havia botado seu ovo. Eu apenas ouço e reproduzo palavras, ecos vindos da época da grande explosão. Saudades do Big-bang, saudades daquela época… talvez não existissem humanos, mas existiam palavras que tinham seu lugar no universo.

Já não há espaço para a palavra como antigamente.

Mistério – parte 3: Um Fato 05/09/2006

Posted by Zuza Machado in prato feito.
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Será vida um fato consumado

será a vida um desejo consumido

ou ainda um sonho destruído

por um fato destorcido?

 

A vida é feto

pensamento e afeto

é de fato uma vigência

e um fato sem violência

em emergência que emerge

da lagoa sem monstro.

Mistério nº 2 02/09/2006

Posted by Zuza Machado in sobremesa.
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Era para ser um dia normal. Carros estavam correndo sobre o asfalto, homens com maletas trabalhando, comércios trocando dinheiro. A lentidão fazia o mundo girar. Eu, por minha vez, percebia a girandança, apenas vivendo. Caminhava de volta para casa.

Já havia anadado metade do trajeto do trabalho para casa, cuja distância era aproximadamente 2 quilômetros. De repente avistei uma pessoa que se aproximava, mas ainda não definira bem seus contornos devido a um certo grau de miopismo que me afeta nos momentos mais indelicados. Mais alguns passos adiante e aquela pessoa começava a adquirir sua imagem como ela era. Eu já não precisava mais imaginar como seria o rosto daquela figura em que avistara um movimento diferente de tudo o que havia ao redor. Uns passos devagares, uns gestos diferentes.

Naquele momento lembro-me que olhei para a vida ao redor e tudo o que vi foi um semáforo, que estava vermelho para os carros que queriam passar suas velocidades para não perder tempo, uma merceária (ainda daquelas pequenas e antigas, como no tempo da vovó), e, do outro lado da rua, um posto de gasolina cinza e mal cheiroso. Enfim, tudo ao mesmo tempo com flores caídas de uma árvore plantada no quintal de uma casa, cuja frente ficava isolada, beirando aquele semáforo que insistia controlar o tempo para tudo e todos que passavam por alí.

Contudo o tempo parou. Por um mistério que não se conta a niguém, a não ser por impudência, o tempo parou. Aquele vulto se transformou numa bela mulher, segurando uma flor, sorrindo apenas para si mesma, ou consigo – seu olhar era para o nada, como se observasse o próprio umbigo, e ainda assim nada havia de egoísmo naquela menina com uma flor. Eu via apenas uma menina, olhando para o alto, sorrindo sozinha, caindo em seu mundo e seus segredos (e qual a mulher que não têm?). Via apenas um relevo, porque aos poucos tudo o mais se fez mais nada.

A velocidade dos carros desapareceu diante o andar devagar daquela mulher, acabaram-se as conversas paralelas ouvidas na merceária e no posto de gasolina, e havia um latido de cachorro que, (por acaso?), sumira, como se o cão estivesse alí, porém manso. O semáforo perdera sua invencibilidade contra o tempo. Ela vina devagar, parando sua flor na mão, sentindo seu aroma.

A flor, vermelha, manchou-me os olhos. Cinza, o posto. Azul, o céu, e eu cego para eles. Nem mesmo o calor infernal daquela tarde me aborreceu.

E foi assim, cruzei com a menina. Ao passo que íamos ficando mais próximos mais eu a olhava e mais ela sumia em seus pensamentos (com um sorriso de Monalisa que traduzia sua vitória sobre o tempo). E ela passou por mim, e foi ficando longe, seguindo seu caminho; e eu ia para casa.

Nunca mais esquecerei a menina com a flor na mão, sua lentidão frente as coisas do mundo, seu contraste com a roda dos dias.

Mistério – parte 1 30/08/2006

Posted by Zuza Machado in Blogroll, prato feito.
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não serei um homem

de meu tempo

se minha língua não beijar

a língua dos pobres

o dialeto dos esquecidos

a involução dos homens.

Taí um poema simples 28/08/2006

Posted by Zuza Machado in sobremesa.
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Porque eu quero atravessar o mar

porque eu quero me esconder do frio

porque eu quero fugir do deserto

porque eu não quero nunca mais calcular. 

Porque eu quero descobrir todos segredos

porque eu quero aprender a dançar e sumir

porque eu quero desvendar a palavra mundana

porque eu não quero o cheiro dos homens. 

Porque eu quero contar minhas lembranças

porque eu quero crescer meu corpo no teu

porque eu quero conhecer como é o fim da vida

porque eu quero saber quando tudo começou.

Notícias da granja Brasil 28/08/2006

Posted by Zuza Machado in prato feito.
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2006 é ano de eleição presidencial, dentre outros cargos. Eu ainda não assisti a nenhuma propaganda eleitoral. Ainda bem… Ouvi dizer que Celsso Pitta é candidato a deputado federal!!! Putz!!! É impossível avaliar os candidatos assistindo às suas mentiras na TV.

Enquanto isso… viva ao aero-trem de Levi Fidelix, candidato do fura-fila de primeiro mundo.

Políticos novatos? Onde, já passou… (cinco segundos de fala que se você se distrair com a mosca na sopa, nem se percebe). Como avaliá-los? Nossa… vamos brincar de roleta russa? Afinal de contas, estamos mesmo já de armas nas mãos. É época de caça às velhas raposas. Mas isso é só política… não passa de caça esportiva, onde o que é caçado tem que ser devolvido a seu meio ambiente.

Para entender o mundo 27/08/2006

Posted by Zuza Machado in prato feito.
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Inauguração… estréia… Tudo é difícil nesses dias em tempo de cólera. Já escreveu Shakespeare que “a vida é cheia de som e fúria”. A palavra é primordial na vida humana. Por ela entendemos que Deus fez o mundo. Entendemos também que ela, a palavra, estava com Deus na criação. A palavra é som, pois tudo o que dizemos tem poder de vida e morte. A palavra é fúria, porque por ela entendemos que a natureza que acompanha a criação divina está presente dentro de nós, sendo contada de geração em geração, seja escrita ou falada.

Estréia – estas são minhas palavaras. Se eu me calasse não seria uma estréia, seria a falta de estar aqui, lugar vazio. Mas estou aqui, escrevendo. Hummmmm… menos mau.

“O mundo é uma palavra, simplesmente.” Outra frase de Shakespeare, gosto dele, gente de teatro, gente legal. Acho que essa isso ratifica o que escrevi anteriormente. O mundo se faz de palavras, as palavras contam o que vemos. O mundo anda tão complicado está no ar. Um blog novo, mas que percebe que quando aqui chegou já estava tudo como era antigamente: guerra no Oriente Médio, autoritarismo dos E.U.A., religiões brincando de comandos em ação e a Bárbie ainda namora o Ken. Tudo é tão simples, a gente que não sabe pegar o dicionário e ler o significado da palavra “simplicidade”. O que é isso, preguiça ou burrice?

Vaidade de vaidades, nada muda debaixo do sol. Até a próxima.